domingo, 1 de fevereiro de 2009

Sorriso

De : Josival Nunes


No início sorriu discretamente . Depois o córrego discreto desatou na cachoeira da gargalhada e inundou os outros presentes com aquela imensa explosão de alegria . Alguns que passavam na rua sem saber o que era , mas ouvindo e sentindo a vibração sonora também romperam em risos e mais risos . O taxista riu com o passageiro , o guarda noturno , a mulher na esquina com a bolsa e o cliente , o larápio escondido nas sombras , um casal de namorados atrás do muro do cemitério , o bêbado caído no beco , o mendigo catando lixo , a senhora grávida e a criança que a acompanhava , a moça na janela e o rapaz que fazia uma serenata para ela . Um religioso empedernido, o pedinte de olhar sofrido , o solitário deprimido, um grupo de jovens que se achavam diferentes , vestidos todos de preto , o vendedor de doces, um casal de idosos passeando .E toda cidade naquela noite sorriu . Até um vira-lata , sem a vocação natural para a gargalhada deslanchou em uma versão bem legal : abanou o rabo e deu um salto mortal .



Um comentário:

  1. Eu também sorri. Principalmente depois do salto mortal do cachorro!
    Muito bom o texto!

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